segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Programado para amar

É de praxe e clichê todo blogueiro dizer: “já faz um tempo que não escrevo aqui”, mas é verdade. Não se passa um dia sequer, em que eu não sinta um pesar pelo abandono reiterado a este espaço, tal fato é uma lástima.

Então é Natal. Aliás, este exato momento é nada mais do que um bagaço de manga chupada do Natal de 2010 (dia 26 de dezembro 03:14am). Só para constar não ganhei nenhum presente material, porém é forçoso reconhecer que não dei nenhum presente material, por problemas técnicos (um deles: enfrentar a fúria consumerista que toma a sociedade nesta época do ano – sinto medo).



Já quanto aos presentes NÃO materiais, estes, ganho durante o ano todo, sem natal mesmo. Os melhores vêm quando estou menos esperando. Anteontem (24 de dezembro), ganhei de minha mãe um sorriso de surpresa (ao me ver em Pouso Alegre) que há muito tempo eu não via em seu rosto; logo depois, ganhei o abraço mais doce e um beijo gostoso do meu sobrinho lindo - meu pequeno príncipe, de quem eu estava morrendo de saudades. Ganhei também vários outros elogios sinceros de alguns amigos e ex-afetos. Aquele tipo de elogio que faz você perceber que o tempo só está te fazendo bem. Já experimentaram esta sensação? Eu recomendo, é fantástica!

Também tive a chance de conhecer melhor uma pessoa especial, que espero que permaneça em minha vida; sabem aquelas pessoas que não se fabricam mais? Que você só encontra em sebo? O tipo de pessoa que você tem certeza que já foi extinto, mas não, você vira uma esquina e opa! Tem uma ali, que sorte!


Estou há pouco mais de um mês – deliciosamente - morando em São Paulo, e vim rever os amigos e a terrinha, a terrinha continua a mesma: bem “batida”. Os amigos, bem, os amigos... Eu me pus a observá-los hoje. São únicos, como todos nós, insubstituíveis, e esplêndidos em todos os seus defeitos e qualidades. Lutando para encontrarem seus caminhos em um lugar onde o tempo parou, por isto, ora os admiro, ora sinto por eles; eu gostaria de ajudar, eu gostaria de ser o Moisés dos meus amigos, bater o cajado com força e abrir o mar para que eles passassem rumo à terra prometida de cada um.



Que pretensão a minha... Querer interromper o precioso e único caminho pessoal de um indivíduo, chega a ser vergonhosamente vaidoso da minha parte cogitar tal hipótese. Ainda mais vindo de mim, um sujeito alta e gentilmente individualista.


Minha vontade era não ter vindo para o Natal, pela data em si, que já perdeu seu sentido há muito tempo para os cristãos por conveniência (aqueles que têm preguiça de procurar uma espiritualidade original dentro de si), e também por achar que de alguma forma, a minha vinda poderia intoxicar o meu processo de transição (pessoal, profissional, metafísica etc.). Mas que grato estou por ter vindo. Esquecer suas “raízes” é algo de pior que pode acontecer a um ser humano. As lembranças, os aromas, o cheirinho da mãe, as ruas coloridas, as pessoas que te amam, o conforto (às vezes irritante) da previsibilidade, ou seja, TUDO, todos os fatores da equação matemática que resultaram em x; sendo x a pessoa maravilhosa na qual você se tornou.

Por isso decidi, tenho que vir de quando em quando para manter isto vivo dentro de mim e para me lembrar do quanto estou bem, pois, se isto tudo for apagado, parte de quem eu sou HOJE não fará sentido algum. E essa droga do “sentido” é um pé no saco em nossas vidas, ainda não descobri algo mais interessante para colocar no lugar do “sentido”, mas eu chego lá.

Eu = meu coração²

Que soberba da minha parte achar - por um momento - que estas coisas podem ser deixadas de lado ou trancadas na edícula do seu ser, da sua alma, de quem você é. Quando na verdade estas coisas estão misturadas no “concreto” que te mantém de pé.


Minha visita de Natal à minha cidade-natal ajudou a solidificar algo dentro de mim, algo que venho anunciar e declarar aqui neste recôndito da fantástica world wide web. Então, sendo assim, declaro para os devidos fins que final e felizmente descobri o que vim fazer neste mundo (Planeta Terra):
AJUDAR MEU SEMELHANTE!

Por semelhante entenda-se todo ser vivo a passeio por aqui. Li anteontem no “Minutos de Sabedoria”: “não reclame do mundo, o mundo é bom, os homens é que AINDA são ruins”. E de fato são, não por maldade, mas por ignorância, por desconhecimento, por que não lhes fora apresentado nada melhor do que conhecem, não lhes fora ensinado a sentir, e a enxergar de outra maneira que não seja com os olhos (como de costume, não estou generalizando).


“Ajudar meu semelhante” é bastante vago eu sei, mas tenho a felicidade de manifestar o alívio que estou sentindo em ter encontrado o primeiro degrau da escada, ou o primeiro movimento (ou desejo sincero) necessário para subir na árvore da vida (símbolo da doutrina cabalística). Dizem que os que escalam a árvore da vida não sentem mais medo nem ansiedade, pois tem a certeza de que tudo se encontra na mais perfeita ordem.

 


Como vou fazer isto? Por onde e como vou começar? Ainda não faço idéia. “The hows are the domains of the universe”.


Há uns meses atrás, um grande amigo que logo vai se formar em psicologia me disse que eu preciso encontrar onde está a minha “falta”, algumas outras amigas psicólogas me classificaram como sendo um caso típico de personalidade obsessiva:


“O obsessivo não se deixa conduzir facilmente a uma estrutura de discurso. Seu problema é dar garantias ao outro. Ele quer uma relação que deve estar submetida a determinadas regras. Diferente da questão histérica que é sobre só sexo (sou homem ou sou mulher?), a questão do obsessivo é sobre a própria existência (estou vivo ou estou morto? – sou ou não sou?). Ele teme o desejo do Outro, e se protege colocando o próprio desejo dentro da impossibilidade. Queixa-se de uma falta de gozo, mas goza em lugar desconhecido. É um escravo e ao mesmo tempo um rebelde, sempre em nome da lei. A morte está sempre presente em sua trajetória. Destruir o outro para não ser liquidado pelo próprio desejo”.

Pois bem, tema e classificação muito bem colocados pela psicologia (ciência que eu mantenho sempre na mais alta estima, pelas suas constantes benesses à “raça” humana), mas HOJE, eu – com todo respeito aos meus amigos psicólogos e a sua ciência – tenho a honra e a alegria de puxar e rasgar de uma vez mais este rótulo colocado em mim (aquela melequinha que fica quando se puxa um rótulo, limparei aos poucos).



Tenho certeza que o que me falta foi, é e será me dado ao longo de minha existência, estou certo de que viver (apenas) preenche qualquer vazio, ou seja, a força da vida me preenche a cada tic-tac do tempo (a maior ilusão de todas), a cada batida do meu coração, a cada sinapse mágica dentro do meu cérebro, a cada sorriso de um irmão, de um semelhante, do Outro, aquele que está ao meu lado, aquele que me dá a mão.


Eu gosto de doar, satisfazer, agradar, entreter, transmitir, transferir, proteger, tranqüilizar, abraçar, mostrar ao próximo que de uma maneira magicamente desconhecida: está tudo bem! E se isto for ser “obsessivo”, a única coisa que posso fazer é colocar meu chapéu Panamá na cabeça, e sair com um sorriso no rosto ensaiando alguns passinhos de Carlitos.



Não é a toa que tenho passado os últimos dias cantarolando “The Best thing about me is you”, a nova música do Ricky Martin com a Joss Stone:

“I'm as happy as I can be / Cause I'm allergic to tragedy / The doctor says something's wrong with me / The smile on my face has no remedy…”
(http://letras.terra.com.br/ricky-martin/1768163/)


Aliás gostaria de elogiar e agradecer publicamente ao Ricky Martin pelo belo livro que ele escreveu, pela sua interessante e iluminada trajetória, que me tocou profundamente nestes últimos dias. E deixar bem claro aqui: Ricky, você é o cara!


Bem, quando eu estava quase me convencendo de que eu era – de fato – um “ser faltante”, e que o vazio era real, ocorreu um outro big bang pessoal e notei que “o orifício é em uma parte relativamente inferior”. Chegando à conclusão contraditória e irônica de que o meu vazio tem um nome: AMOR. E em sendo amor deixa de ser vazio, e adquire o famigerado “sentido”. E diante de tudo isto eu de repente me torno INTEIRO, simples assim. Simples como olhar para a Lua numa noite clara de verão e sorrir de maneira sincera, por apenas ser o observador da Lua.


E qual era o oposto deste estado de espírito? O medo. Sim, nós humanos MORREMOS de medo da quantidade imensurável de amor que existe dentro de nós, e começamos a procurar desculpas para olhar para outros lados, tropeçar, correr, gritar, fazer birra, até o dia em que amor vence e decidimos “voltar pra casa”, para a “nave mãe”.


Eu tenho muito a contribuir, eu tenho muito a fazer, o mundo de repente é melhor simplesmente porque eu estou aqui, sou o observador. Pois, sem mim, que graça teria para mim?!


Every observer is the universe looking at itself with and from a unique perspective in space-time. Multiple observers do not exist.
(Deepak Choprah)

Amemos! O 14º princípio espiritual da Cabala diz:

“Ama a teu próximo como a ti mesmo. Todo o resto é apenas comentário”.

Está ai algo em que TODAS as religiões concordam, seria por acaso?

 


Enfim descobri porque sempre me identifiquei tanto com o filme “Inteligência Artificial”, descobri a razão pela qual sempre que assisto a este filme quase tenho uma síncope de tanto chorar. Simplesmente porque sou muito parecido com o personagem David, choro tanto porque entendo e sinto a dor que ele sente, porque compreendo e tenho consciência da razão do seu desespero e da dor de desconhecer a sua verdade. Pois, assim como o David: eu nasci programado para amar. A diferença crucial é que agora eu tenho consciência de que este sou eu, e este é meu presente - em todos os sentidos da palavra “presente”.

“Sem amor eu nada seria”.


Feliz 2011!

André Aggi.