Eu apenas queria fazer constar que eu estava ali, fazia questão de contribuir para as imagens da posteridade. Achava mágicas as câmeras fotográficas, não podia ver uma Yashica, uma Olympus ou uma Kodak, que já pulava na frente; é claro que de maneira elegante, divertida e apropriada, e não como aquelas crianças babacas e inconvenientes que hoje me irritam. E ninguém se atrevia a reclamar de um loirinho bochechudo, lindo, com cachinhos nas pontas do cabelo e um charmoso diastema entre os incisivos superiores.
Também me lembro de atuar em algumas películas de "Super 8", do meu tio rico. Como a câmera era dele, meus primos eram elenco e eu figuração, mas não importa, eu estava lá.
Algum tempo depois, chegaram as primeiras filmadoras VHS, que me hipnotizavam. Lembro-me de uma vez ter pedido ao vizinho para deixar eu pelo menos segurá-la, o máximo que ele fez foi mostrá-la em suas mãos. Me senti o menino pobre sem acesso ao mundo novo.
Depois subi no palco (palco mesmo) pela primeira vez com nove anos de idade - peça de natal da escola. Eu tinha que olhar para Maria e José (pais biológicos de Jesus) e dizer: "Vocês não tem vergonha de ficar mendigando por aí?" E pela segunda vez no Teatro Municipal de Pouso Alegre, não me lembro o nome da peça, mas eu interpretava o Dr. Moleculino, cientista maluco, vilão que queria destruir uma floresta inteira, mas que felizmente foi impedido pela Iracema e pelo Curupira.
Teatro Municipal de Pouso Alegre
Daí em diante vieram várias coisas: Conservatório Estadual de Música, Grupo de Teatro Experimental, uma figuração em Batman Forever - que não entrou na edição final (mas que me rendeu 800 dólares) - pontinhas em novelas da Globo, Zorra Total, Casa das Artes de Laranjeiras, uns três curta metragens etc...
Doze anos dando aula de inglês me deram a oportunidade de estar diante de várias platéias e várias vezes por semana, o que indicava que eu não estava ali para dar aulas (o que - embora - eu fizesse com muita dedicação e carinho), e quando descobri isso resolvi parar.
E em algum ínterim, acidentalmente, resolvi fazer a Faculdade de Direito, e lá descobri que escrever me agradava (advogado escreve pra burro).
Então comecei a escrever, não somente peças processuais e petições judiciais, mas sobre outras coisas também. Escrevia às vezes gostando e às vezes desgostoso, ora consciente, ora em transe, na maioria das vezes sozinho a noite, como que no meio de um deserto. Fora o que eu escrevi apenas em minha mente.
Os manuscritos eram guardados a sete chaves, e os documentos do Word tinham senha dupla. Mas idéias são valentes, tem vida e espírito próprios, e lutam para vir à luz. Assim, tímida e despretensiosamente mostrei alguns textos a algumas amigas mais próximas, que desde então não me deram mais sossego enquanto eu não encontrasse uma forma de fazer com que mais pessoas tivessem acesso ao que eu escrevia. Dentre elas Bel, Flávia, Dani Palma, Júlia Donati e Ana Eliza Beraldo.
"Escritor profissional é um principiante que não desistiu" (Richard Bach)
Deste modo, reza a lenda que sou um escritor.
Quanto ao blog, sempre pensei: "Que porre!" Mas nunca encontrei justificativa para este preconceito, talvez porque existam muitos, e eu sempre tive uma certa resistência quanto ao que "tem muito".
Mas nesta madrugada (13/12/09), em mais uma pavorosa insônia, "escarafunchei" os vários textos contidos no blog da minha brilhante amiga, Jornalista (com "J" maiúsculo) escritora, poeta, esposa e mulher: Carol Borne. E durante a leitura me diverti, ri, sorri, chorei, medi meu dedão (rs), fazendo com que o maldito tempo passasse, indo para a cama com gostinho de quero mais. E assim pensei: pôxa, eu também poderia "causar" caso eu tivesse um blog.
E ei-lo, aqui, simples, despretensioso, mas te todo meu coração. Ou seja, cuspi para cima e voltou em cheio na minha testa.
CAROL, dedico esta primeira postagem a você, linda, mais que demais. Este espaço só existe porque o seu existiu primeiro. Vou tentar ao máximo me aproximar da qualidade do que você faz. Observando a originalidade.
E este blog, dedico a Bel, Flávia e Dani (Carrie, Charlotte e Samantha) nossas vidas mudaram, e continuam mudando, e a Miranda resolveu sair do armário, ou pelo menos suas idéias resolveram. Dedicado também a Julia Roberts Donati e Ana Eliza Beraldo.
Talvez agora os domingos sejam menos chatos, a insônia mais produtiva e Pouso "Alegre" se torne mais suportável nos momentos em que eu sempre me lembro do tamanho do Planeta Terra e das coisas que eu sei.
E em especial, talvez alguém encontre aqui uma ferramenta para ampliar sua mente, que deste modo, segundo Einstein, jamais voltará ao seu tamanho natural, oxalá meu pai Ogum!
PS: Sou leigo, laico, lacônico e não-confessional!
André Aggi.



Um comentário:
Nóóóóóssinhóra! Eu fiquei aqui, lendo e pensando: será que eu sou tudo isso mesmo? Eu, apenas uma escrevinhadora que se joga em palavras.
Tem coisa melhor do que palavras?
Elas traduzem TUDO!
Marido-Lindo, fiquei super orgulhosa, feliz, saltitante, emocionada e lacrimejante!
Mais ainda por ser cúmplice, comparsa, capaz de acordar este blog (antes tarde do que nunca!). Vida longa ao 'De outro mundo'! Sou a primeira seguidora! Te amo muito, muito! E sou tua fã incondicional pra sempre, do tamanho do céu!
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