Porém, o blá blá blá mais imperdoável é aquele que vem tomando conta das amizades, seja pela velocidade em que o mundo vem se transformando ou pelo o que o sistema cobra de nós de maneira opressiva (o sistema é bruto).
Um exemplo de blá blá blá nas profissões, citado com muito humor por uma colega advogada de São Paulo, outro dia no MSN: enquanto conversávamos sobre a penosa profissão de advogado, e eu falava sobre as dificuldades de exercer a advocacia em uma cidade pequena, ela me disse: “você tem mesmo é que vir para São Paulo, onde vão te cobrar 8 anos de experiência na área, mestrado, doutorado, onde você vai trabalhar cerca de 12 horas por dia e vão te pagar dois mil e trezentos Reais sem VR e VT”. Os “blabladores” de plantão (estão em toda parte) diriam: “mas é São Paulo, a terra das oportunidades, você tem chances de crescer e se tornar sócio, quem sabe fazer um pós-doutorado...” (Aham, trabalhando 12 horas por dia) e etc.
Notem que no “mas é São Paulo” já começou o blá blá blá, também conhecido como “conversinha do Paraguai” ou ainda “discurso para acalentar bovinos” (papo pra boi dormir).
Certa vez em uma entrevista de emprego, o profissional de RH do escritório para o qual eu estava me candidatando a uma vaga me perguntou: “O que o André espera deste escritório e, o que o André tem a oferecer a este escritório?” Sim! Ele me perguntou em terceira pessoa! Eu quase olhei para o lado e esperei que o “André” respondesse.
Quis apenas responder que eu estava em São Paulo, e precisava de um emprego, OU que a princípio eu estava disposto a trabalhar que nem formiguinha: 12 horas por dia em troca de dois mil e trezentos Reais. Simples: eu trabalho para o dono do escritório ir jogar golfe em Dubai, e você me paga o combinado.
Obviamente eu usei o blá blá blá: “Bem... O André espera poder colaborar com o crescimento desta instituição através de um trabalho onde busco, quer dizer, o André busca aprimorar...”.
Só para constar: não passei na entrevista, porque os processos de seleção de grandes e pequenas empresas transformaram-se em blá blá blá há muito tempo atrás. Se for mulher, além de ser gostosa tem que ter mestrado, doutorado e 8 anos de experiência, se for homem, idem, caso o profissional de RH seja uma mulher ou um gay.
SALIENTO que JAMAIS generalizo absolutamente NENHUMA de minhas idéias e opiniões.
A falsa modéstia é a máscara de indivíduos de alta periculosidade, isto posto, posso afirmar que sempre me saí bem em todas as atividades nas quais me dispus a praticar: dar aulas, subir em um palco, traduzir um documento, defender os interesses de alguém perante o judiciário, ou seja, não consigo fazer NADA mais ou menos, e isso me soa como a tradução do que é ser um bom profissional, mas POUTZ! Eu não tinha conhecimento em “endomarketing, cultura e clima organizacional”, por isso não passei na “avaliação de pré-performance”, o que indica que eu poderia gerar “fontes de distorção”, e não seria capaz de “otimizar” a produção da empresa e blá blá blá...
Enfim, mal sabem eles que tenho uma coisa chamada paixão, o que substitui todas essas criaturas aí em cima, inclusive a experiência. Falando nisso, não perceberam ainda que a experiência, em muitos casos, pode ser algo bem ruim, profissionalmente falando.
Meu sonho é que tocasse uma campainha estridente, cada vez que o blá blá blá estivesse sendo usado, obrigando as pessoas a reformularem seus modos de dizerem as coisas.
Vamos a outros exemplo de blá blá blá (b.b.b.) presentes em nosso cotidiano.
B.b.b. nos términos de relacionamentos amorosos:
- Eu quero que você saiba que você é MUITO especial para mim, uma pessoa fantástica, maravilhosa...
(PÉÉM – Se a pessoa fosse de fato TUDO isso, a outra pessoa não estaria terminando, OU: “você é especial, fantástico e maravilhoso, mas eu encontrei alguém MAIS fantástico, especial e maravilhoso do que você, alguém assim... Supimpa!”).
- Eu quero que você saiba que eu aprendi muito com essa relação...
(PÉÉM – Aham, ou seja, peguei o que eu precisava e “tô vazando! Aliás, não vejo a hora”).
B.b.b. na imprensa de celebridades:
- “Yollanda Hesketch de Castro e Barros abre as portas de sua cobertura nos Jardins e afirma: Estou na minha melhor fase”
(PÉÉM – Prezada Yollanda, não saia por aí abrindo as portas para tanta gente, e você não está na sua melhor fase! Se estivesse, não estaria se sujeitando a isso).
- Toda a programação da TV aberta, estagnada cultural e intelectualmente, há mais de 20 anos.
- Será que ele é gay?
- Ah, acho que não, ele estava noivo.
- Ah, mas isso não quer dizer nada.
- Eu vi ele “pegando” na quarta sexy do Varandinha.
- Mas e aquele cara que não saía de perto dele?
- É amigo.
- Amigo... Sei...
- Vai ver que ele é “bi”.
- Bicha?
- Não, bissexual.
- Será que “rola”?
- Rola o que?!
- Sei lá...
- Mas será?
- Sei lá...
- Ele usa umas roupas estranhas para “homem”, muito “modernoso”.
- É, isso é.
- Ai mas ele é lindo, se for, que “desperdício”...
(PÉÉM – Ei, mulheres! Cerca de cinco minutos de uma conversa inútil e que não vai levar a nada, peguem o barrigudinho, as chances dele ser gay são bem menores).
- Os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem.
(Não há culpa de nenhuma das partes neste caso).
B.b.b. em concurso público:
- Vai cair só “lei seca”.
- Ah que droga!
- É bom, porque assim seleciona.
(PÉÉM – Seleciona um bando de retardados e cartesianos, “decoreba” não faz, nem nunca fez um bom profissional).
B.b.b. quando prometem indicar você para um bom emprego:
- Então... Me passa o seu currículo que eu vou entregar NAS MÃOS da Martha do RH...
(PÉÉM – Se alguém é DE FATO amigo da Martha do RH, você já estaria empregado – experiência própria – pois, já vieram literalmente bater a porta da minha casa oferecendo emprego, através de indicação).

B.b.b. na balada:
- CARA! (Enquanto dança e grita no seu ouvido) Que legal que a gente está aqui, se conhecendo melhor!
(PÉÉM – Se você está em uma “balada”, ou você quer sexo, ou quer sentir-se desejado, observado, notado e aceito, assim como todas as outras pessoas da balada. “Ah não, eu saí hoje só para curtir...” PÉÉM – menos! Por favor. Me erra!).
Como dito anteriormente, o mundo está se afundando em blá blá blá, e de lado ficam a sinceridade, a consideração e o respeito com o tempo e a paciência do próximo, em especial a minha, que ao menor sinal de conversinha do Paraguai, tenho dor no olho.
Outro sinal, e este nas amizades, de que o blá blá blá está se instalando, é a inexplicável incapacidade que as pessoas vêm tendo em dizer “NÃO”.
Às vezes, tudo que a pessoa precisa é simplesmente de um “não”. Todo mundo vez ou outra precisa de ajuda, de favores. Vamos simplificar, se você não pode ou simplesmente não quer ajudar, diga não, do modo mais carinhoso possível, levando em consideração o grau de afeto que você tem em relação à pessoa que está a sua frente, precisando de algo.
Ouvi dizer que o cérebro assimila o sim e assimila o não, mas que ele não assimila a dúvida (ou o blá blá blá), causando stress e despendimento de energia até que a dúvida seja solucionada.
- Você pode me ajudar com tal coisa? Você pode me emprestar cinquenta Reais? Você pode me dar uma carona até tal lugar? Você pode ficar com meu filho por uma hora?
- Olha...
(PÉÉM)
- Eu preciso dar uma olhada... Tenho que ver se... Eu tinha um compromisso marcado, mas... Se chover... Posso te dar a resposta na quinta? (E hoje é segunda...)
(ZZZZZZZZ).
Tenho amigos que olham para minha cara, e não preciso pedir nada, me pegam pela mão e fazem melhor do que imaginei e do que esperava. E tenho amigos que olham para minha cara, peço algo e dizem que não podem me ajudar, mas oferecem seus ouvidos, amo esses dois tipos de amigos de maneira idêntica.
Porém, alguns têm distraidamente se enveredado pelos caminhos torturantes do blá blá blá.
Deixemos o blá blá blá, para os retóricos, hipócritas, demagogos, desocupados, Lula, Sarney, Arruda etc. Para estes: “falem com minha mão”.












3 comentários:
Muito bom seu blá blá blá....
bj
Ana
saudades de vc e blá blá blá....
bj
Amigo, ameeeeei! e bla bla blaaaaa.... hahahahahha amo vc!
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