A cada dia a esperança se renova, e se consome, em um círculo interminável, às vezes torturante e sempre vicioso.
Já nascemos viciados em esperança, pois, somos - em parte - frutos do que uma mãe espera de nós.
E assim seguimos, envoltos na pálida nuvem da esperança que nos cega para o tudo mais que está aqui e agora.
Uma nebilna fria e melancólica, que nos ilude hora após hora.
É o dia que nunca chega, é o dia que nunca acaba, mas é a noite que sempre chega ao fim, nos obrigando a despertar para mais um dia... De esperança.
Frágil. É o castelo de areia, a chama da vela.
É o cachorro de rua (um dono), a embriaguez do mendigo (dignidade) e o choro da criança (alento), que esperam.
É a água que desce pelo ralo, a amada que parte e aquele sol que se põe cedo demais, coisas que esperávamos que não acontecessem.
É a fome, é a sede, é a dor e a atmosfera da noite de domingo.
É a cortina que se abre, e a mesma cortina que se fecha, é a platéia que aplaude e no momento seguinte deixa um vazio.
É o momento que antecede o choro profundo, é o cansaço da áspera esperança. É o que nunca foi e quiçá será. É o inferno de (não) ter, (não) ser e (não) estar.
É a luz no fim do túnel sem fim.
É a espera pelo trem que passa e o que já passou, o que não para e o que não parou.
É a essência dos mais suntuosos delírios humanos. É imortal, é aquela que não perde por esperar e não espera perder.
É nuvem, é vento, que leva o pó do que não se sabe o que e nem o porquê.
André Aggi.


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