Debaixo de cada medo encontrei um sonho realizado.
O medo, esta pedra que colocamos no caminho, este veneno que paralisa; vento frio e solitário que bate na alma, esta corrente invisível que aprisiona.
Em um - não menos do que - belo dia, resolvi tocá-lo, decidi ir de encontro a ele, decidi dar um, e às vezes dois passos à frente na horripilante escuridão do medo, e ali, a um ou dois passos de distância estava a luz.
No veneno gélido e com gosto de morte que parecia enrijecer cada músculo do meu corpo, encontrei a cura.
No desespero e no vazio gelado de um deserto à noite, ali, a dois passos adiante empurrei minha consciência para a alvorada do grande dia.
Joguei-me inteiro no abismo sem fim do medo, mas não cai, pois, o chão se fez.
E para o meu sorriso não havia abismo, a não ser aquele que eu mesmo criei.
Na luta contra as correntes negras que me prendiam, percebi que eu estava lutando contra eu mesmo, vão foi o esforço para me livrar daquelas amarras.
Quando parei e respirei, elas se afrouxaram e caíram por terra, sorrindo me levantei e fui ter com o sol.
E depois daqueles dias ainda chorei, e às vezes choro até hoje. Choro um choro rápido, seguido de um sorriso quase infantil, por um sentimento inominável ao ver um medo me levando para casa, ao ver um medo virar flor, ou até mesmo ao ver e sentir o medo se esvaecendo como fumaça ao vento, sem um quê ou porquê e nem pra quê.
Do outro lado do medo, lá na outra margem está você, se esperando alegre, contente e orgulhoso por você ter caminhado e enxergado mesmo com medo. Quanto maior o medo, maior a possibilidade, mais possível é o sonho, a liberdade, o bem-estar.
Então eu digo: não tenha medo?
Não... Tenha sim, mas sugiro um encontro cara a cara, olho no olho, o silêncio, a pausa antes do grito, você e seu medo, mais nada ou ninguém.
Hoje eu procuro pelos meus medos, e vejo que eles estão rareando.
Gosto inclusive do medo de não temer mais nada.
Depois daqueles dias, descobri que tememos a nossa luz. Tão radiante e tão poderosa, que tememos não suportar tanta divindade dentro de nós mesmos.
E nos escondemos na sombra da inércia diante de nossos medos.
Pelo menos experimente dar aqueles passos, e não feche os olhos, você pode perder a mágica.
Grite.
Muitas vezes haverá alguém te esperando de braços abertos logo à frente, e não se surpreenda se esse alguém for você mesmo.
Sabe aquela montanha enorme, ou aquele obstáculo atravancando sua bela jornada? Você vive os criando.
Agora vá! Mesmo com medo. Atravesse-o. E VEJA! Quanta coisa há, onde temíamos chegar.
André Aggi.



Um comentário:
Obrigada. Te amo.
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