A única verdade consiste no paradoxo de que não existe verdade alguma, assim como não existem fórmulas.
Como ocorre com suas digitais, cada ser humano é único e livre para escolher os caminhos que melhor lhe aprouver.
Somos seres plurais e multidimensionais dentro de uma zona de “livre” arbítrio, onde o externo aguarda a cada segundo, um comando nosso para manifestar-se ou rearranjar-se.
Filme: Matrix. Cena: Neo pergunta ao "Arquiteto" o sentido da vida ("Por que estou aqui?"):
"Sua vida é a soma do saldo de uma equação desequilibrada inerente à programação da Matrix. Você é o desenlace de uma anomalia, que, a despeito de meus mais sinceros esforços, fui incapaz de eliminar daquela, caso conseguisse, seria uma harmonia de precisão matemática. Ainda que continue a ser uma tarefa árdua diligentemente evitá-la, ela não é inesperada, e portanto não está além de qualquer controle. Fato este que o trouxe, inexoravelmente, aqui".
Somos soberanos, apesar de ter-nos sido ensinado o contrário, porém, assim como em ciência política, esta soberania termina no limite do ser. Mais ainda assim somos soberanos.
Porém, mas, entretanto, exceto... Vejam como a história não tem fim!
Apresentaram-nos deuses falsos, fracos, falhos e descartáveis. Sendo que a Força Suprema, inominável é também insondável, não nos cabendo enquanto humanos, sequer pensar na possibilidade de compreendê-la, “pedir ao homem para explicar ou descrever Deus é como pedir ao peixe para explicar a água na qual ele nada”.
Ensinaram-nos também, que sempre há de faltar, quando tudo o que existe é abundância.
Esquecemos o tempo todo de que a escuridão é simplesmente, nada mais, nada menos do que a ausência de luz, e que precisamos da escuridão para ter consciência do que a luz representa, ou vice-versa, é uma questão de parâmetro. Não há como fugir, enquanto estivermos aqui, seremos – ao mesmo tempo e na mesma proporção – luz e sombras, usando/sendo mais ora uma, ora outra, portanto, amemos tanto aquela quanto esta, tanto o dia irradiante, quanto os encantadores mistérios da noite.
Quebremos – de início – um paradigma por semana, um preconceito por semestre. Tentemos minar as estruturas dos preconceitos mais absurdos a priori, e então, talvez os menos absurdos não resistam.
Aos brasileiros, que consigam reconhecer e valorizar a IMENSA riqueza e a beleza desse espaço brilhantemente descrito por Pero Vaz de Caminha há centenas de anos atrás.
Paremos com a hipocrisia de glamourizar a ignorância irritante e a pobreza, ambas estampadas na figura do chefe de estado mais estúpido, demagogo e salafrário que eu já conheci em 33 anos e 9 meses de vida.
Exaltemos coisas que nos farão evoluir, como a troca de idéias simples e brilhantes, focadas na construção de uma política de gentileza, consciência e presença ao momento. Ontem por exemplo, vi - no centro da cidade - humanos vestidos de palhaços, dando a mão às pessoas como se elas fossem crianças novamente, e convidando-as a atravessarem na faixa de pedestre, não sei de quem foi a iniciativa e nem quero saber, mas fiz questão de sorrir e prestigiar aquela pequena festa.
E por fim, deixemos de jogar nosso tempo no lixo, dando menos atenção aos espetáculos mambembes* televisionados, como “A Fazenda”, "BBB", ou as desgraças – brilhantemente – escritas por Manoel Carlos, que milagrosamente se transformam em pura alegria SOMENTE no último capítulo – até porque nossa novela nunca acaba.
(*sem querer ofender a arte teatral mambembe).
E exaltemos o bem estar por pelo menos algumas horas por dia, pode ser o começo de algo bom.
Que tal pensar que Louis Armstrong estava certo? Não proponho 24 horas de alegria insana e superficial, dessa da qual já estamos saturados; mas 50/50 seria o suficiente por agora.
Bem lembrado pelo Boticário na campanha de natal deste ano: “this little light of mine, I’m gonna let it shine”¹, e pela Coca Cola há uns dois anos atrás: “you give a little love and it all comes back to you... You’re gonna be remembered for the things that you say and do”².
André Aggi.
¹ “Esta luzinha que me pertence, eu vou permitir que ela brilhe”.
² “Você dá um pouco de amor e ele volta todo para você, você vai ser lembrado pelas coisas que você diz e faz”.




5 comentários:
Isso me faz lembrar uma placa na Faculdade de Direito " Óh Brasil, o que tanto tem nos lábios e tão pouco no coração? " Não sei quem escreveu, mas prefiro esta frase a arder meus ouvidos com esta " Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte "
O Braço de quem? Do Político que põe dinheiro na meia e na cueca ou no Pedreiro que construiu o " Alvorada ". Parabéns pelo Blog, meu grande amigo André Aggi, artista desde o ventre e espetáculo nos palcos. Finalizo minha insônia escapista num trecho da música " CIDADÃO " :
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Grato Dr. Érico (amigo desde a maternidade no Santa Paula), obrigado pela visita e pela opinião. Acho que talvez o que falte ao "CIDADÃO" seja voz, e aos mais privilegiados: atitude!
"...Política de gentileza, consciência e presença ao momento..."
São palavras que eu procurava há muito tempo...
Parabéns Pelo texto !!!
Muito bom seu texto! Bem escrito. Não concordo com algumas das suas opiniões mas é aí que mora a graça: vida é contradição. Feliz 2010. Beijos!
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