O assunto rende tanto, que uma vez um pai de santo me disse para não responder que eu estava bem (pois causaria inveja), e nem para responder que estava mal (pois causaria satisfação em quem quisesse me ver para baixo) Hein?! Como atualmente eu já disse que sou agnóstico (que pela última vez: não significa ateu) leigo, laico e não-confessional, posso afirmar que não acredito em mandingas, e que para olho-gordo eu recomendo o Dr. Ray Shapewear.
A insatisfação é grande, a turma tem consumido muito Rivotril, que eu sei! Há um vazio no ar... O aquecimento global, a gripe suína (graças a Deus não vi mais ninguém de máscara), parece que a Luciana (Viver a Vida) não vai mais andar mesmo, aquele povinho em Brasília "enfiando" dinheiro como se fosse supositório e OB, e tem o mundo que vai acabar (OUTRA VEZ) em 2012, mas mesmo assim:
- Oi, tudo bem?
- Bem, e você?
- Bem também.
- Que bom.
Ah pára!
Vejam um humilde exemplo do que realmente acontece na maioria das vezes:
- Oi tudo bem?
(Nossa, que cabelo é esse?)
- Bem, e você?
(Aposto que ele vai falar que está ótimo...)
- Estou ÓTIMO!
(Porque será que o cabelo dele está assim?)
- Que bom.
(Aham...)
- A gente se fala.
(Não era assim o cabelo dele...)
- Opa! Claro.
(Que será que ele está tomando?)
Depois dos formalismos, saem pensando por aproximadamente mais 12 segundos:
- (Ele devia deixar o cabelo como era...)
- (Tomando o que ele toma até eu fico ótimo!)
Eu devo ser chato mesmo, porque já tentei tanto inovar no tal do “Tudo bem?”, mas não deu certo. Eu encontro uma resistência inexplicável por parte das pessoas. Primeiro comecei tentando ser sincero:
- Tudo bem?
- Não.
- Mas por que? O que que aconteceu? Senta aqui, me conta, é alguma coisa lá na sua casa? Está todo mundo BEM? (Junto com uma cara de piedade e/ou preocupação).
Jesus! Eu simplesmente não estou bem, só isso, eu só respondi uma pergunta SIMPLES com uma resposta SIMPLES, a resposta é sim ou não, como em: “Está chovendo?” Não. Pronto! Não está chovendo. Se eu soubesse que ia ter que fazer relatório eu teria respondido que estava bem, putz! (Sei que algumas pessoas dizem que não estão bem só para você perguntar o porquê, mas não é meu caso).
Daí voltei a responder que sim, mas continuei me sentindo desconfortável, porque se a pessoa pergunta se estou bem, ela quer saber meu estado, e é como “estar passando” uma informação errada, entendem?
Depois tentei inserir um sorriso junto com o “não”, também não deu certo, as pessoas começavam a rir: “Hahahaha, boa, boa!” Ou me olhavam com uma cara de colher, tentando entender uma piada que não existia. Eu só estava tentando dizer o seguinte:
“Não, não estou bem, mas estou aqui não estou? Olha eu aqui! Hein? Lá lá lá... Olha minha mão! Ainda mexe! Não estou bem (esta é a informação que você me pediu) mas ainda consigo sorrir. Que tal?”
Tentei explicar isso para alguns, mas ficava um clima chato no ar tipo: “por que ele está falando todas essas coisas?” E depois eu ficava com uma sensação de que eu tinha sido desagradável. Moral da história: a sinceridade não funciona nestes casos.
Terceira tentativa:
- Oi! Tudo bem?
- Estou indo...
- Por que “indo”?
OU
- Como assim?
Deus do céu o que vocês querem, por favor?! Que eu responda “estou bem”? Já que querem isso, por que perguntam?
Mas confesso que o “estou indo” funcionou, em termos, tirando o estorvo de ter que ouvir um comentário depois:
- Ah, se está indo então tá bom, o que não pode é ficar parado né?
- Ééé... (Junto com um sorriso que exige MUITO da articulação temporomandibular, daqueles que você dá uma massageada depois).
Ou então vinha uma pergunta em seguida:
- Indo pra onde, hahaha?
Nem falo para onde dava vontade de responder.
Quarta tentativa: responder de uma forma metafórica, de maneira que fizesse o interlocutor pensar, e nesse ínterim você ter tempo de mudar de assunto ou sair estrategicamente:
- Oi, tudo bem?
- Remando... (Junto com um sorriso discreto).
Pouquíssimos foram os que vieram questionar o “remando”. Tanto que eu o uso até hoje às vezes. As pessoas ficam pensando mesmo! Dá para ver na cara delas:
- (Em pensamento): Será que “remando” é bom ou ruim? Hum...
A pessoa fica simplesmente paralisada, você consegue dar uma confundida no mecanismo do “Oi, tudo bem?”, e aparece uma mensagem no cérebro dela:
PAM! “Este programa executou uma operação ilegal e será fechado”.
E nessa, você conseguiu se safar e já está saindo ou começando outro assunto se for o caso. Eu recomendo o “remando” para todos aqueles que também se opõem ao otimismo superficial, ao “morno”, ao “mais ou menos”, a dizerem que estão bem sendo que não estão, e ficam se perguntando sobre a razão desse formalismo desnecessário (desculpem o pleonasmo).
Tudo o que eu disse acima não serve para outros cumprimentos como:
- Opa! E aí, beleza?
- Beleeeeza...
Gosto desse, porque no caso interpreto da seguinte forma: estou repetindo a palavra “beleza”, como que em uma evocação à beleza, ou desejando a beleza ao interlocutor, sei lá. Como dizer: “Salve!” O que é bem diferente de: “Eu estou bem!”.
Falando em “salve”, também acho interessante o que os ingleses fazem, que é um olhar para a cara do outro e dizer: “Deus salve a Rainha!” Só isso, e cada um segue seu caminho. Olha que perfeito! Que “tudo bem” que nada! Não me interessa se você está bem, se eu estou bem... Deus salvando a Rainha está tudo ÓTIMO! Vejam que simples, eles encontraram uma maneira fina e elegante de evitarem uma conversinha do Paraguai.
Há inúmeros exemplos de como evitar o “bem-bem-bem”. Vejam os adolescentes, eles têm o hábito de usar onomatopéias, levantam o braço e:
- Aôôôu!
- Êeeaaa!
Saudável, simples, sem hipocrisia, sem risinhos idiotas, e a meu ver extremamente carinhoso. Um “aooou” diz tudo!
Aôôôu Papa!
Outro exemplo é abaixar delicadamente a cabeça, olhar no olho, e dizer os nomes (um do outro) com uma entonação que soa como uma pergunta e resposta ao mesmo tempo:
- André...
- Walter...
E para finalizar, os indianos com sua linda reverência ao próximo:
- Namastê!
Que literalmente significa: “curvo-me perante ti”, ou ainda segundo a Wikipedia:
"Eu honro o Espírito em você, que também está em mim."
"Eu honro o local em você, em que o Universo inteiro reside, eu honro o lugar em você, que é de Amor, de Integridade, de Sabedoria e de Paz."
"Quando você está neste lugar em você, e eu estou neste lugar em mim, nós somos um." (Ou estamos fazendo "outra" coisa).
"Eu saúdo o Deus dentro de você." (Aôôôu Deus!)
"Seu espírito e meu espírito são um."
"O divino em mim cumprimenta o divino em você."
"A Divindade dentro de mim compreende e adora a Divindade dentro de você."
"Tudo que é melhor e mais superior em mim cumprimenta/saúda tudo que é melhor e mais alto em você."
"O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você."
Pronto! Deus me livre de ter que recitar um poema cada vez que eu encontrar alguém, mas depois de um "namastê", ainda é necessário saber quem está bem ou mal?
Acho que no fundo não importa, e poucos são os que se importam, e geralmente estes já chegam com um beijo no rosto, um abraço, contando alguma coisa engraçada, tirando da sua cara por causa da noite passada, ou com um simples sorriso – na maioria das vezes – sincero.
Eita!
E então? Tudo jóia? Como diria o Ceará do Pânico: “metade jóia, metade bijuteria”.
Vamos simplificar, ou colocar humor no negócio.
André Aggi.





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