Alguém poderia ter se sentado comigo à beira-mar quando eu tinha 15 anos de idade, e me ensinado, com muita paciência, que a única coisa que reina neste mundo é a minha mente. Que só ela existe, e que ilusão - na verdade - é o que se encontra fora dela.
Que com uma agradável e simples prática, hábito, costume, eu sou capaz de construir, materializar e manifestar qualquer coisa. Que observando algo, dali eu posso extrair mil idéias a meu favor.
“O exterior é o reflexo do interior”.
Emmanuel Kant.
“As coisas em última instância estão constituídas por conceitos”.
Platão.
Que o que eu vejo, eu SO-MENTE vejo através das lentes da minha mente. Que a realidade é simples-mente uma cartolina em branco-infinito, esperando idéias movidas a desejo - este combustível divino.
Que qualquer informação que chega até mim, é apenas uma meia-verdade que necessita imprescindível-mente da minha validação, aquela que ocorre em minha mente.
E então eu saberia o que é válido ou não com base em minhas próprias conclusões.
Eu saberia que cigarro não dá câncer, mas que a culpa por fumar pode dar, ou a culpa por qualquer coisa. Eu saberia que a raiva, a mágoa, a frustração, o ódio (entre outros) também podem dar câncer.
Que masturbação não é pecado, e que sexo é apenas uma ebulição energética que nos leva a um ponto bem próximo do divino. E também, que fazer sexo sem amor é apenas como fazer qualquer outra coisa sem amor.
Eu saberia que eu sempre fui livre para amar quem ou o que quer que fosse, independente-mente de quaisquer condições ou atributos pré-estabelecidos.
Eu saberia que eu não precisava me sentir culpado por não ir à missa, como minha mãe inconsciente e lamentável-mente me fazia sentir. Aliás, eu saberia que eu nunca precisei de religião, porque eu não preciso me “religar” a Deus ou a nada, pois, eu nunca me separei dele - o verdadeiro; eu nunca me desconectei. Eu saberia que eu vim da luz, nasci em luz e na luz permaneço.
Eu teria a inconsciente certeza de que o Reino dos Céus é a própria terra, e que ele é inescapável.
Eu não teria medo dos vários fins de mundo aos quais sobrevivi, eu usaria a palavra “fim” para efeitos mera-mente didáticos. O que é “fim”, se não uma marcação de tempo? E o que é tempo? Voltas no relógio? Medindo as voltas que a Terra dá em torno do sol? Fazendo círculos ou elipses? Por um acaso, um círculo ou elipse tem fim?
Eu saberia que O Bem e O Mal não existem, a não ser como faces de uma mesma moeda, ou extremidades de um mesmo bastão de “existência”.
Assim, eu saberia que eu nunca fui bom, e nem ruim; apenas que eu sou feito de escolhas próprias, e que algumas escolhas me trazem para perto de quem eu sou, e outras me levam para longe. Mas, eu saberia que se eu escolhesse ir para longe, eu não iria para o “inferno”, eu já estaria nele! E mesmo assim, eu jamais seria julgado por isto. Podendo voltar para casa a qualquer momento.
A propósito, eu saberia que inferno e paraíso eram apenas lugares criados em livros antigos, e escritos por pessoas bastante imaginativas e de intenções questionáveis. Pessoas assim... Idênticas a mim.
Eu saberia que a vida me foi dada com um único intuito: para que eu fosse quem eu real-mente sou. E não quem eu deveria ser de acordo com meus pais, colegas, professores, governo, igrejas, afetos, desafetos ou livros antigos.
Eu teria consciência que dizer coisas como: “eu sou melhor do que você; minha cidade é melhor do que a sua; meu país é melhor do que o seu; minha igreja é melhor do que a sua; meu Deus existe, e o seu não”; são motivos para criar guerras de todos os tipos, inclusive as mentais, e que nestas guerras milhões de pessoas morreram e morrem - por nada - todos os dias.
Eu saberia que não há absoluta-mente nada de digno na pobreza, pois, ela denota coisas como: falta, carência, ausência, necessidade, fatos que me afastam de quem eu real-mente sou. E que a riqueza é o destino final da humanidade, sendo o “final” apenas uma palavra sem fim.
Eu entenderia que mentira é apenas uma coisa de quem mente.
Enfim... Ninguém se sentou comigo aos 15 anos de idade e, com muita paciência, me ensinou tudo isso.
Admito que Fernão Capelo Gaivota passou voando pela minha mente adolescente anunciando que “o amor é tudo o que há”, assim como outra gaivota me ensinou que “longe é um lugar que não existe”. Entre vários outros amigos que me ajudaram a chegar até onde cheguei, e sabendo o que sei 20 anos depois.
Caso contrário, eu saberia quem eu sou desde os meus 15 anos.
Quando eu nasci neste mundo inundado de padrões já estabelecidos e inquestionados, e informações 50% verdadeiras, eu me perdi. E sozinho, seguindo as pistas deixadas pelos “anjos”, voltei para quem eu sou, e para o que vim fazer aqui.
Eu: este ser que pulsa eterna-mente;
Eu: o observador supremo, pois, até as estrelas só brilham se eu olhar pra elas;
Eu: que crio universos inteiros a cada segundo;
Eu: que faço este planeta brilhar toda vez que me sinto bem;
Eu: uma entidade universal;
Eu: o rei do mundo.
Eu: puro amor.
Mas que diferença faz saber tudo isto aos 15 ou aos 35 anos de “idade”?!
André Aggi.






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