É chegado um momento quando os disfarces já não funcionam mais. Não há mais desculpas, não há mais razões para fingir, e fugir não faz mais sentido. Todas aquelas ilusões que você sempre projetou, repetidas e infindáveis vezes em sua mente, já não encontram mais platéia em sua alma ou fora dela.
Você simplesmente não consegue mais viver a vida e a idéia de outras pessoas, embalado pela vã tentativa de justificar o que te falta. Você tentou todas as fórmulas que te ensinaram para suceder, só esqueceram de te dizer que não existem fórmulas, a não ser as que você cria. Você leu todos os livros, assistiu todos os filmes, olhou em todas as gavetas e debaixo da sua cama.
Então você está aqui, agora e sozinho. E um silêncio, nunca experimentado até então, insiste em querer revelar algo, algo novo. E o novo às vezes assusta, o novo às vezes é maior e bastante diferente do que você imaginava.
Ninguém conhecido por perto...
Você pensa em chamar por um amigo, mas de certa forma você sabe em seu íntimo que nenhum dos seus amigos vai te entender, nem aquele a quem você chama de melhor. Não que falte boa vontade por parte deles, mas neste momento as palavras são de uma ineficiência sem precedentes e talvez irreversível.
Você sente, você sabe: você chegou lá, onde só há você.
Você, despido de qualquer distração, e com a impressão de que não há mais volta, não há mais como viver da maneira que se viveu até hoje.
Você tenta se apegar a qualquer coisa que lhe pareça familiar, mas os louros passados e as ilusões persistentemente futuras evaporam diante do calor do momento - o único que existe: o momento presente.
Então você apela para a Divina Providência, e neste momento-presente, é possível sentir o olhar impassível e bondoso do Cosmos em sua direção, como quem diz: “é com você“.
E você acha que é muito, que é demais para ser somente com você, mas o silêncio continua... E a paz que procede este momento o faz concluir que é - de fato - com você, e se dá por conta que assim o foi durante todo este tempo. Quem diria...
Tudo, absolutamente tudo até então serviu para lhe trazer diante de si. Em um momento único e eterno, quando e onde nada importa, além do fato que você simplesmente é.
Você simplesmente é, independentemente de qualquer coisa, pessoa, fato, circunstância ou razão. Já não é necessário encontrar motivos ou justificativas para ser o que você é, para ser o nada e o tudo que você é.
Você simplesmente é, independentemente de qualquer coisa, pessoa, fato, circunstância ou razão. Já não é necessário encontrar motivos ou justificativas para ser o que você é, para ser o nada e o tudo que você é.
Depois disso, quando sua personalidade neste espaço-tempo lhe chama de volta para o não-abstrato, há algo distinto em seu olhar. Tudo parece mais leve, mais solto, mais fluido. Você expandiu. E muito caiu por terra. Não há tristeza, só há leveza.
Então vem uma vontade súbita de voar, de sentir aquela brisa suave na face, no corpo.
Você fecha os olhos e sorri.
André Aggi.



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